“Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.”Thiago,3/17

“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” João – 15:7

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Tecnologia e sua utilização

É evidente que a tecnologia dos dias da atualidade, nos confere inúmeras oportunidades de evidenciar nossas disposições de servir ao bem ou ao mal, segundo nossas tendências e segundo nosso livre arbítrio. São variados os recursos colocados ao nosso dispor pela tecnologia, onde pela internet podemos receber e enviar as novidades a todas as partes do mundo, em tempo real.

Convém, porém, que tenhamos muito cuidado e que a utilizemos com muita cautela no envio de nossas notícias, para os irmãos que em qualquer parte do nosso planeta irá ter contato com essa mensagem por nós veiculada.

É conveniente que nos pautemos nos princípios cristãos, e que nossa palavra seja sempre recheada de mensagens portadoras de simplicidade, humilde, otimismo, meiguice e fraternidade, na intenção positiva de levar bom ânimo a quem dela tomar conhecimento, por mais triste e incrédulo que esteja o nosso irmão em vista das incontáveis notícias de acontecimentos deploráveis e condenáveis que infestam a mídia diariamente através dos diversos meios de comunicação.

Se, nada de positivo temos para dizer, é hora de calar, pois, o silêncio nessas circunstâncias é o maior e melhor benefício que podemos ofertar no momento de turbulência, em que sentimos que nossa palavra não terá efeito positivo em vista da dor e da revolta reinantes no ambiente em que nos encontramos.

Nessa hora, o silêncio que faremos não representará nosso pouco caso com os acontecimentos que infelicitam os vários envolvidos, mais que isso, significará nosso respeito pela dor do nosso próximo e a oportunidade de buscarmos o contato com os Imortais da Vida Maior, e, em prece, nascida no imo do nosso SER, realizar o maior bem que se pode realizar em momento tão delicado que é o pedido de socorro à Espiritualidade Amiga.

Como nos alerta Madre Tereza de Calcutá, “não basta apenas fazer o bem, é preciso ser bom”, e ser bom é não acender fósforo em barril de pólvora, procurando o equilíbrio de nossas ações em cada acontecimento em que tomarmos parte, procurando fazer bom uso dos recursos que Deus permitiu nos chegasse ao conhecimento e através da tecnologia espalhar a paz e a concórdia em volta de nossos passos, ajudando na implantação do evangelho de Jesus nos corações em desespero estendendo mão amiga no restabelecimento da paz, da alegria e da harmonia entre as criaturas.

Que Jesus nos sustente em sua paz, hoje e sempre!
Espiri-tista

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Ética, uma palavra fora de moda!

O Dicionário da Língua Portuguesa define a palavra Ética, como: s.f. parte da filosofia que estuda os deveres do homem para com Deus e a sociedade; deontologia; ciência da moral.¹ Significado este, que nos dias da atualidade, tornou-se artigo de luxo, muito raro de ser observado.
É, perfeitamente natural, que o homem alimente o desejo de crescer, de progredir, de alcançar vitórias em sua vida. Quem não nutre esses sonhos no fundo do seu SER? O problema é a forma como esses desejos ou aspirações são alcançados, pois, não podemos jamais esquecer de que em tudo precisamos ser acima de qualquer coisa dignos, honestos e honrados; afinal, não somos cristãos seguidores da mensagem do Mestre de Nazaré através dos ensinamentos contidos na sublime mensagem deixada por ele nos evangelhos?
O Espiritismo nos ensina que só nos pertence verdadeiramente, aquilo que conquistamos com esforço e trabalho honesto, sem prejuízo de outrem, da forma mais justa possível e, em conformidade com as Leis Divinas, pois, vivendo o homem em sociedade, terá ele direitos e obrigações a cumprir, como se pode ver nas instruções dos Imortais da Vida Maior em resposta à indagação do insigne Codificador nas questões que seguem constantes de O Livro dos Espíritos.
877. Da necessidade que o homem tem de viver em sociedade, nascem-lhe obrigações especiais?
“Certo e a primeira de todas é a de respeitar os direitos de seus semelhantes. Aquele que respeitar esses direitos procederá sempre com justiça. Em o vosso mundo, porque a maioria dos homens não pratica a lei de justiça, cada um usa de represálias. Essa a causa da perturbação e da confusão em que vivem as sociedades humanas. A vida social outorga direitos e impões deveres recíprocos.”
878. Podendo o homem enganar-se quanto à extensão do seu direito, que é o que lhe fará conhecer o limite desse direito?
“O limite do direito que, com relação a si mesmo, reconhecer ao seu semelhante, em idênticas circunstâncias e reciprocamente.” ²
Se analisarmos com atenção as respostas acima, chegaremos facilmente à conclusão, de que o homem não pode em hipótese alguma deixar de respeitar os direitos de seu semelhante, pois, se assim não proceder, estará cometendo uma grande falta perante a paternidade Divina que nos criou em igualdade de situação, sem privilégio algum em relação ao nosso irmão que conosco caminha em direção à felicidade e à perfeição tão desejadas.
Precisamos aprender a ser éticos em nossas atitudes para com tudo, isto é, respeitar a Deus e aos homens, saber impor limites às nossas ações para alcançar os nossos objetivos, saber manter sob controle nossas ambições, e empregar todos os esforços para não nos utilizarmos de quaisquer artifícios ilegais na luta para conseguir a realização desses objetivos. Entre tantas outras atitudes condenáveis podemos alertar para algumas como: não roubar, mentir ou pisar nos outros para atingir nossos secretos e ambiciosos desejos.
Desde cedo temos a obrigação moral de dar aos nossos filhos exemplos de atitudes dignas pautados na ética e na decência, pois, hoje em dia a maioria dos pais se preocupa em demasia em tornar seus filhos ambiciosos para a conquista dos bens materiais, mas ao mesmo tempo, não se incomodam quando os filhos não são éticos no alcance de suas propostas, se for preciso colar na prova para passar de ano, isso pouco importa, desde que passe, é tudo o que eles objetivam como sendo a meta maior a ser conquistada.
Reduzido é o número de pais que se preocupam em saber o comportamento do seu filho na escola, se ele não atrapalha o bom andamento das aulas, se é cumpridor dos afazeres a ele atribuídos etc., e ainda, muitos se aborrecem se forem chamados para uma reunião na escola, e se lhe for feita qualquer tipo de queixa sobre o comportamento do seu “santo” filho.
O problema maior, é que normalmente os responsáveis por ensinar os princípios da moral e da ética aos seus rebentos, desconhecem esses princípios, pois, só alcançam seus objetivos ambiciosos a preço de pesados prejuízos que impõem aos outros, sem se incomodarem com quaisquer fundamentos de ética ou dignidade, que sabem cobrar quando se vêem prejudicados no mínimo detalhe.
Até mesmo em nosso movimento espírita, encontramos grande quantidade de companheiros que desconhecem o valor da dignidade em suas atitudes para com os seus irmãos de ideal espírita, e, sem o menor constrangimento, praticam atos, que há muito já deveriam ter erradicado de suas ações, como espíritas que dizem ser com muitos anos de movimento espírita.
Devemos nos alicerçar nos ensinos da doutrina espírita, que nos aclara o entendimento para que saibamos melhor discernir na hora de tomar qualquer atitude, principalmente se for causar qualquer dano ou prejuízo ao nosso semelhante, para que nossa aquisição possa ser considerada como legítima da forma que os Espíritos Superiores nos ensinaram nas questões que seguem:
884. Qual o caráter da legítima propriedade?
“Propriedade legítima só é a que foi adquirida sem prejuízo de outrem.” (808) Proibindo-nos que façamos aos outros o que não desejáramos que nos fizessem, a lei de amor e de justiça nos proíbe, ipso facto, a aquisição de bens por quaisquer meios que lhe sejam contrários.
885. Será ilimitado o direito de propriedade?
“É fora de dúvida que tudo o que legitimamente se adquire constitui uma propriedade. Mas, como havemos dito, a legislação dos homens, porque imperfeita, consagra muitos direitos convencionais, que a lei de justiça reprova. Essa a razão por que eles reformam suas leis, à medida que o progresso se efetua e que melhor compreendem a justiça. O que num século parece perfeito, afigura-se bárbaro no século seguinte.” (795) ³
Que o Mestre de Nazaré possa nos inspirar a agir em tudo com ética, vivenciando em nossas ações diárias, os exemplos que ELE nos veio ensinar há mais de 2000 anos atrás.
Fontes:
1) Dicionário da Língua Portuguesa, Francisco da Silveira Bueno- MEC, 9ª Edição;
2) O Livro dos Espíritos, FEB 76ª Edição;3) Idem, Idem.Grifos Nossos.
Espiri-tista

Os Trabalhos espirituais da Casa Espírita exigem comportamento digno dos tarefeiros

É muito importante, que nós espíritas, estejamos cientes da importância da nossa participação no equilíbrio fluídico da instituição que freqüentamos. Pois, as atividades espirituais que ali são realizadas, muito dependem da nossa participação efetiva com disposição, boa vontade, preparo e trabalho incessante no aperfeiçoamento individual e coletivo, para que alcancemos êxito e mereçamos cada vez mais a companhia e confiança do mundo espiritual.

Incontáveis são as instruções que os Espíritos Superiores nos transmitem, nas diversas obras espíritas com a finalidade de nos ajudar a crescer, amar e servir, sempre mais e melhor, e, dentre elas, trazemos as instruções do querido Benfeitor Adolfo Bezerra de Menezes que abaixo transcrevemos.

Bezerra fala sobre o Ambiente do Centro Espírita

“Um Centro Espírita onde as vibrações dos seus freqüentadores, encarnados ou desencarnados, irradiem de mentes respeitosas, de corações fervorosos, de aspirações elevadas; onde a palavra emitida jamais se desloque para futilidades e depreciações; onde, em vez do gargalhar divertido, se pratique a prece; em vez do estrépito de aclamações e louvores indébitos se emitam forças telepáticas à procura de inspirações felizes; e ainda onde, em vez de cerimônias ou passa-tempos mundanos, cogite o adepto da comunhão mental com os seus mortos amados ou os seus guias espirituais, um Centro assim, fiel observador dos dispositivos recomendados de início pelos organizadores da filosofia espírita, será detentos da confiança da Espiritualidade esclarecida, a qual o levará à dependência de organizações modelares do Espaço, realizando-se então, em seus recintos, sublimes empreendimentos, que honrarão os seus dirigentes dos dois planos da Vida.
Somente esses, portanto, serão registrados no Além-Túmulo como casas beneficentes, ou templos do Amor e da Fraternidade, abalizados para as melindrosas experiências espíritas, porque os demais, ou seja aqueles que se desviam para normas ou práticas extravagantes ou inapropriadas, serão, no Espaço, considerados meros clubes onde se aglomeram aprendizes do Espiritismo em horas de lazer”. 1

Assim sendo, precisamos ter os devidos cuidados com as vibrações que disseminamos pelos diversos ambientes da nossa Casa Espírita, procurando participar com alegria e dignidade dos trabalhos realizados sob a inspiração e comando dos Amigos do invisível, mantendo o desejado equilíbrio emocional, cedendo nossos melhores fluidos, tornando-nos instrumentos úteis aos variados e delicados trabalhos que ali se processam.

Seja na tarefa da mediunidade de cura dos enfermos que buscam o auxílio espiritual das casas espíritas para suas enfermidades, seja na tarefa de conversar com as entidades desencarnadas sofredoras, ou ainda na sublime oportunidade de falar da consoladora mensagem espírita através da oratória, precisamos demonstrar principalmente, preparo e fé para estarmos aptos a captar e transmitir pela inspiração que nos serão dadas pelos instrutores espirituais os melhores recursos para a eficácia da tarefa a nós confiadas.

Precisamos ouvir a advertência dos Emissários Celestes da espiritualidade esclarecida que nos recomendam, o máximo respeito nas assembléias espíritas, onde jamais deverão penetrar a frivolidade e a indisciplina, a maledicência a intriga, o comércio, o barulho e as atitudes menos dignas de qualquer jaez.

Quando não procedemos conforme nos instruem os Celestes Emissários, estamos nos sujeitando a atrair para tais atividades, e, portanto, para a nossa instituição bandos de entidades hostis, malfeitoras e ignorantes do invisível, que virão interferir de forma negativa nos trabalhos ali realizados, pois, os Espíritos Benfeitores não participam de atividades frívolas nem de ambientes incompatíveis com a prática da verdadeira caridade.

1) Do Livro “Dramas da Obsessão”, de Bezerra de Menezes, psicografado por Ivone A.Pereira - Editado pela FEB .

JFCR - Espiritista

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A oração infantil

O benefício da oração infantil


Quando o pequenino coração se eleva

Em prece de sutil rogativa,

Do Céu descem bênçãos de paz e alegria

Como chuva de luz em sua vida.


Criança que cedo aprende a orar,

Cresce sadia, otimista e feliz,

Curte a vida de forma salutar

Faz papai e mamãe pedir bis.


Tem a proteção do seu Anjo da Guarda

Dorme bem, e acorda disposto,

Estuda com prazer e aprende mais rápido

Na família ou na escola p’ra todos dá gosto.


Papai do céu muito ama e protege

A Criança educada e estudiosa que ora,

Na hora de ir para a cama

Inspirando-o na hora da prova.



Espiri-tista

Páginas Edificantes

Reto pensar

Pessoas bem intencionadas acreditam que algumas ações boas lhes bastam para a paz de consciência, no mundo, e a conquista do “reino dos Céus” logo depois.

Entre nada fazer e algo realizar, é sempre melhor o bem produzir. Todavia, a ação generosa, periódica, não é suficiente para equilibrar os valores humanos no campo de batalha da personalidade, em detrimento do ser real em si mesmo.

O homem se torna aquilo que cultiva no pensamento.

A vida mental irregular, geradora de mil conflitos e disparates, não fica anestesiada face à ingerência de alguns atos de solidariedade ou mesmo de beneficência.

O reto pensar é o método único para atingir o reto atuar.

Somente o pensamento bem direcionado, impede que germinem as sementes da perturbação mental geradora dos tormentos que procedem dos vícios ancestrais.

O esforço para insistir no reto pensar preenche os espaços do pensar mal ou não pensar, ambos do agrado da ociosidade e da acomodação.

Mediante o reto pensamento, o homem se descobre também agindo retamente.

Inclina tua mente para o mais saudável.

Não te faças fiscal do lixo moral da sociedade, nem te permitas coletar os detritos do pessimismo como da vulgaridade.

De maneira nenhuma censures o teu próximo, especialmente quando este se encontre ausente.

Busca os valores positivos que existem nos outros e aprimora aqueles em ti existentes Sê equânime no teu foro íntimo e nas tuas expressões exteriores.

Fala menos e reflexiona mais em torno do amor.

Insiste nas idéias que estimulam a vontade a tornar-se forte quão disciplinada.

Planeja a ascensão e pensa sobre ela, raciocinando a respeito da perda de tempo com as ilusões e futilidades.

Supera o temor de qualquer natureza com a confiança de que nenhum mal de fora poderá fazer-te mal se estiveres bem interiormente, e que somente te sucederá o que venha a contribuir para a tua paz e progresso espiritual.

Jesus realizou, na Terra, os mais admiráveis fenômenos de que se tem notícia, e demonstrou a mais elevada qualidade de amor que jamais alguém, no mundo, ofereceu às criaturas. Todavia, o Seu reto pensar foi a causa do Seu reto agir, o que O fez Modelo para ser seguido em todas as épocas.

Livro: Momentos de Meditação - Capítulo 3
Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis

Espiri-tista.

Estudando O Livro dos Médiuns

Caros amigos, estamos iniciando o estudo do Livro dos Médiuns, ainda muito pouco estudado e compreendido por grande massa dos espíritas. Estudemos e nos preparemos adequadamente para melhor servir a Espiritualidade Superior nas atividades espirituais nas nossas instituições espíritas, sem achismos ou modismos dispensáveis e infundados.





INTRODUÇÃO




Todos os dias a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos, com que muitos topam na prática do Espiritismo, se originam da ignorância dos princípios desta ciência e feliz nos sentimos de haver podido comprovar que o nosso trabalho, feito com o objetivo de precaver os adeptos contra os escolhos de um noviciado, produziu frutos e que à leitura desta obra devem muitos o terem logrado evitá-los.

Natural é, que entre os que se ocupam com o Espiritismo, o desejo de poderem pôr-se em comunicação com os Espíritos. Esta obra se destina a lhes achanar o caminho, levando-os a tirar proveito dos nossos longos e laboriosos estudos, porquanto muito falsa idéia formaria aquele que pensasse bastar, para se considerar perito nesta matéria, saber colocar os dedos sobre uma mesa, a fim de fazê-la mover-se, ou segurar um lápis, a fim de escrever.

Enganar-se-ia igualmente quem supusesse encontrar nesta obra uma receita universal e infalível para formar médiuns. Se bem cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito diferentes e o seu desenvolvimento depende de causas que a ninguém é dado conseguir se verifiquem à vontade. As regras da poesia, da pintura e da música não fazem que se tornem poetas, pintores, ou músicos os que não têm o gênio de alguma dessas artes. Apenas guiam os que as cultivam, no emprego de suas faculdades naturais. O mesmo sucede com o nosso trabalho. Seu objetivo consiste em indicar os meios de desenvolvimento da faculdade mediúnica, tanto quanto o permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir-lhe o emprego de modo útil, quando ela exista. Esse, porém, não constitui o fim único a que nos propusemos.

De par com os médiuns propriamente ditos, há, a crescer diariamente, uma multidão de pessoas que se ocupam com as manifestações espíritas. Guiá-las nas suas observações, assinalar-lhes os obstáculos que podem e hão de necessariamente encontrar, lidando com uma nova ordem de coisas, iniciá-las na maneira de confabularem com os Espíritos, indicar-lhes os meios de conseguirem boas comunicações, tal o círculo que temos de abranger, sob pena de fazermos trabalho incompleto. Ninguém, pois, se surpreenda de encontrar nele instruções que, à primeira vista, pareçam descabidas; a experiência lhes realçará a utilidade. Quem quer que o estude cuidadosamente melhor compreenderá depois os fatos de que venha a ser testemunha; menos estranha lhe parecerá a linguagem de alguns Espíritos. Como repositório de instrução prática, portanto, a nossa obra não se destina exclusivamente aos médiuns, mas a todos os que estejam em condições de ver e observar os fenômenos espíritas.

Não faltará quem desejara publicássemos um manual prático muito sucinto, contendo em poucas palavras a indicação dos processos que se devam empregar para entrar em comunicação com os Espíritos. Pensarão esses que um livro desta natureza, dada a possibilidade de se espalhar profusamente por módico preço, representaria um poderoso meio de propaganda, pela multiplicação dos médiuns. Ao nosso ver, semelhante obra, em vez de útil, seria nociva, ao menos por enquanto. De muitas dificuldades se mostra inçada a prática do Espiritismo e nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo sério e completo pode obviar. Fora, pois, de temer que uma indicação muito resumida animasse experiências levianamente tentadas, das quais viessem os experimentadores a arrepender-se. Coisas são estas com que não é conveniente, nem prudente, se brinque e mau serviço acreditamos que prestaríamos, pondo-as ao alcance do primeiro estouvado que achasse divertido conversar com os mortos. Dirigimo-nos aos que vêem no Espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo.

Havíamos publicado uma Instrução Prática com o fito de guiar os médiuns. Essa obra está hoje esgotada e, embora a tenhamos feito com um fim grave e sério, não a reimprimiremos, porque ainda não a consideramos bastante completa para esclarecer acerca de todas as dificuldades que se possam encontrar. Substituímo-la por esta, em a qual reunimos todos os dados que uma longa experiência e conscienciosos estudos nos permitiram colher. Ela contribuirá, pelo menos assim o esperamos, para imprimir ao Espiritismo o caráter sério que lhe forma a essência e para evitar que haja quem nele veja objeto de frívola ocupação e de divertimento.

A essas considerações ainda aditaremos outra, muito importante: a má impressão que produzem nos novatos as experiências levianamente feitas e sem conhecimento de causa, experiências que apresentam o inconveniente de gerar idéias falsas acerca do mundo dos Espíritos e de dar azo à zombaria e a uma crítica quase sempre fundada. De tais reuniões, os incrédulos raramente saem convertidos e dispostos a reconhecer que no Espiritismo haja alguma coisa de sério. Para a opinião errônea de grande número de pessoas, muito mais do que se pensa têm contribuído a ignorância e a leviandade de vários médiuns.

Desde alguns anos, o Espiritismo há realizado grandes progressos: imensos, porém, são os que conseguiu realizar, a partir do momento em que tomou rumo filosófico, porque entrou a ser apreciado pela gente instruída. Presentemente, já não é um espetáculo: é uma doutrina de que não mais riem os que zombavam das mesas girantes. Esforçando-nos por levá-lo para esse terreno e por mantê-lo aí, nutrimos a convicção de que lhe granjeamos mais adeptos úteis, do que provocando a torto e a direito manifestações que se prestariam a abusos. Disso temos cotidianamente a prova em o número dos que se hão tornado espíritas unicamente pela leitura de “O Livro dos Espíritos”.

Depois de havermos exposto, nesse livro, a parte filosófica da ciência espírita, damos nesta obra a parte prática, para uso dos que queiram ocupar-se com as manifestações, quer para fazerem pessoalmente, quer para se inteirarem dos fenômenos que lhes sejam dados observar. Verão, aí, os óbices com que poderão deparar e terão também um meio de evitá-los. Estas duas obras, se bem a segunda constitua seguimento da primeira, são, até certo ponto, independentes uma da outra. Mas, a quem quer que deseje tratar seriamente da matéria, diremos que primeiro leia “O Livro dos Espíritos”, porque contém princípios básicos, sem os quais algumas partes deste se tornariam talvez dificilmente compreensíveis.

Importantes alterações para melhor foram introduzidas nesta segunda edição, muito mais completa do que a primeira. Acrescentando-lhe grande número de notas e instruções do maior interesse, os Espíritos a corrigiram, com particular cuidado. Como reviram tudo, aprovando-a, ou modificando-a à sua vontade, pode dizer-se que ela é, em grande parte, obra deles, porquanto a intervenção que tiveram não se limitou aos artigos que trazem assinaturas. São poucos esses artigos, porque apenas apusemos nomes quando isso nos pareceu necessário, para assinalar que algumas citações um tanto extensas provieram deles textualmente. A não ser assim, houvéramos de citá-los quase que em todas as páginas, especialmente em seguida a todas as respostas dadas às perguntas que lhes foram feitas, o que se nos afigurou de nenhuma utilidade. Os nomes, como se sabe, importam pouco, em tais assuntos. O essencial é que o conjunto do trabalho corresponda ao fim que colimamos. O acolhimento dado à primeira edição, posto que imperfeita, faz-nos esperar que a presente não encontre menos receptividade.

Como lhe acrescentamos muitas coisas e muitos capítulos inteiros, suprimimos alguns artigos, que ficariam em duplicata, entre outros o que tratava da Escala espírita, que já se encontra em “O Livro dos Espíritos”. Suprimimos igualmente do “Vocabulário” o que não se ajustava bem no quadro desta obra, substituindo vantajosamente o que foi supresso por coisas mais práticas. Esse vocabulário, além do mais, não estava completo e tencionamos publicá-lo mais tarde, em separado, sob o formato de um pequeno dicionário de filosofia espírita. Conservamos nesta edição apenas as palavras novas ou especiais, pertinentes aos assuntos de que nos ocupamos.

Espiri-tista

Estudando o Evangelho

Candeia sob o alqueire. Porque fala Jesus por parábolas



Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa. (S. MATEUS, cap. V, v. 15.)
Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; — pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente. (S. LUCAS, cap. VIII, vv. 16 e 17.)
Aproximando-se, disseram-lhe os discípulos: Por que lhes falas por parábolas? — Respondendo-lhes, disse ele: É porque, a vós outros, foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas, a eles, isso não lhes foi dado (1) . Porque, àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância; àquele, entretanto, que não tem, mesmo o que tem se lhe tirará. — Falo-lhes por parábolas, porque, vendo, não vêem e, ouvindo, não escutam e não compreendem. — E neles se cumprirá a profecia de Isaías, que diz: Ouvireis com os vossos ouvidos e não escutareis; olhareis com os vossos olhos e não vereis. Porque, o coração deste povo se tornou pesado, e seus ouvidos se tornaram surdos e fecharam os olhos para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, para que seu coração não compreenda e para que, tendo-se convertido, eu não os cure. (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 10 a 15.)
É de causar admiração diga Jesus que a luz não deve ser colocada debaixo do alqueire, quando ele próprio constantemente oculta o sentido de suas palavras sob o véu da alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, dizendo a seus apóstolos: “Falo-lhes por parábolas, porque não estão em condições de compreender certas coisas. Eles vêem, olham, ouvem, mas não entendem. Fora, pois, inútil tudo dizer-lhes, por enquanto. Digo-o, porém, a vós, porque dado vos foi compreender estes mistérios.” Procedia, portanto, com o povo, como se faz com crianças cujas idéias ainda se não desenvolveram. Desse modo, indica o verdadeiro sentido da sentença: “Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entrem a possam ver.” Tal sentença não significa que se deva revelar inconsideradamente todas as coisas. Todo ensinamento deve ser proporcionado à inteligência daquele a quem se queira instruir, porquanto há pessoas a quem uma luz por demais viva deslumbraria, sem as esclarecer.
Dá-se com os homens, em geral, o que se dá em particular com os indivíduos. As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina. Mas, o que a prudência manda calar, momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade. Tendo-lhes Deus outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do céu, eles tratam de raciocinar sobre sua fé. E então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé.

Fonte:
O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIV, itens 1 a 4.
Espiri-tista

Páginas Edificantes

OUVISTES?

"Tenho-vos dito estas coisas, para que vos não escandalizeis." - Jesus. (JOÃO, 16:1.)
Antes de retornar às Esferas Resplandecentes, o Mestre Divino não nos deixou ao desamparo, quanto às advertências no trabalho a lazer.

Quando o espírito amadurecido na compreensão da obra redentora se entrega ao campo de serviço evangélico, não prescinde das informações prévias do Senhor.

É indispensável ouvi-las para que se não escandalize no quadro das obrigações comuns.
Esclareceu-nos a palavra do Mestre que, enquanto perdurasse a dominação da ignorância no mundo, os legítimos cultivadores dos princípios da renovação espiritual, por Ele trazidos, não seriam observados com simpatia. Seriam perseguidos sem tréguas pelas forças da sombra. Compareceriam a tribunais condenatórios para se inteirarem das falsas acusações dos que se encontram ainda incapacitados de maior entendimento.Suportariam remoques de familiares, estranhos à iluminação interior. Sofreriam a expulsão dos templos organizados pela pragmática das seitas literalistas. Escutariam libelos gratuitos das inteligências votadas ao escárnio das verdades divinas. Viveriam ao modo de ovelhas pacificas entre lobos famulentos. Sustentariam guerra incessante contra mal. Cairiam em ciladas torpes. Contemplariam o crescimento do joio ao lado do trigo. Identificariam o progresso efêmero dos ímpios. Carregariam consigo as marcas da cruz. Experimentariam a incompreensão de muitos. Sentiriam solidão nas horas graves. Veriam, de perto, a calúnia, a pedrada, a ingratidão...

O Mestre Divino, pois, não deixou os companheiros e continuadores desavisados.

Não oferecia a nenhum aprendiz, na Terra, a coroa de rosas sem espinhos. Prometeu-lhes luta edificante, trabalho educativo, situações retificadoras, ensejos de iluminação, através da grandeza do sacrifício que produz elevação e do espírito de serviço que estabelece luz e paz.

É importante, desse modo, para quantos amadureceram os raciocínios na luta terrestre, a viva recordação das advertências do Cristo, no setor da edificação evangélica, para que se não escandalizem nos testemunhos difíceis do plano individual.
Espiri-tista

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Respeito e a valorização da moral


O homem de bem, enfrenta na atualidade, um momento bastante delicado em que se vê, muito desencorajado, a seguir os princípios da boa convivência com seu semelhante, sem a aceitação dos abusos absurdos cometidos hoje em dia, de forma quase que natural por uma esmagadora maioria de criaturas, e, cada vez mais se sente deslocado no meio social em que se movimenta.
Isto porque, enfrenta diariamente as atitudes desrespeitosas das criaturas que não se contentam em serem mal educadas, grosseiras, indelicadas etc., e querem também de todas as formas arrastar para seu lado os que não comungam de suas idéias e atitudes, muitas das vezes de forma rude e até mesmo agressiva.
Todos os que com eles não concordarem, passarão por isso mesmo, a serem perseguidos e provocados de diversificadas formas, forçados mesmos a se recolherem em seus aposentos para não sofrerem discriminações, azedumes, ou se sujeitarem a ouvir até mesmo palavrões dos mais variados tipos.
São esses mesmos, que vivem em passeatas, gritando por direitos de que se acham merecedores, que ao voltarem da demonstração pública de que são bons cidadãos, retornam aos costumeiros abusos e desrespeitos aos direitos dos outros.
Chegam a tal ponto, que se revoltam quando medidas que venham de encontro ao que pensam e fazem os reprimem de satisfazerem aos seus insaciáveis prazeres de importunar e perturbar a paz do próximo, sem se importarem com as conseqüências funestas de seus maus hábitos para com uma sociedade, que não respeitam, e sim desdenham e desprezam.

Uma dessas medidas que muito tem trazido revolta e desgosto a muita gente é a proibição de dirigir após as costumeiras bebedeiras que sempre promoveram, saindo depois, na direção de um veículo causando desastres e mortes impressionantes, impondo à sociedade prejuízos materiais, financeiros e morais irrecuperáveis.
Chegou a hora desses nossos irmãos entenderem que a sociedade não mais está disposta a aturar desrespeitos, e abusos, e que exige o devido preço da falta de responsabilidade desses ignorantes e abusados donos da verdade e da vida alheia, e que doravante não mais queremos ver bêbados matando pessoas, entre elas muitas crianças sem o mínimo respeito à vida de seus semelhantes.
Temos esperança, que essas medidas sejam apenas o início de inúmeras outras providências de combate ao abuso e ao crime, onde o cidadão de bem não seja minoria discriminada, mas sim, a maioria absoluta dos seres humanos inteligentes e dispostos a agirem de acordo com as Leis e os bons costumes.
Francisco Rebouças.